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Nem tudo são flores quando o assunto é previdência privada!


por GestorFP

Muito recentemente, via Facebook, chegou ao meu conhecimento um post interessante de autoria de alguém que desconheço, chamado Leandro Ávila. Com o título, “8 motivos para não fazer previdência privada”, o artigo discorre, negativamente, sobre esta usual forma de investimentos para grande parte dos empregados de grandes empresas e autônomos de classe média.

Se você se interessou pelo tema, então vá lá, leia o artigo e retorne aqui!  Segue o link:

http://www.administradores.com.br/mobile/artigos/economia-e-financas/8-motivos-para-nao-fazer-previdencia-privada/73643/

Caso você tenha lido o texto do Leandro, percebeu que existem algumas desvantagens em se optar pela previdência privada. São desvantagens importantes, significativas e, no entanto, desconsideradas pelo público, como pondera o autor.

Como Coach, o que me interessa, mais do que as vantagens e desvantagens financeiras de cada modalidade de investimentos, é, na verdade, o comportamento do investidor. Valendo-me do exemplo extraído do próprio texto, no qual uma senhora descobre que só receberia seu dinheiro, da forma que acreditava, se vivesse até os 99 anos de idade, vêm-me  a cabeça uma pergunta:  “O que há de tão atraente em previdências privadas?”

Bom, tenho ouvido várias pessoas que optam por investimentos desse tipo e, via de regra, a “ilusão” de que se continuará com um salário idêntico ao do tempo em que se trabalhava é a principal delas.

As instituições financeiras são certeiras no quesito publicidade do produto. Eles conseguem entender a exata preocupação da população e transformá-la, não em um produto, exatamente, mas num anúncio que retrata fielmente aquilo que os clientes mais temem – a pobreza e abandono na velhice. Promessas de uma terceira idade com dinheiro, tempo e saúde para gastá-lo costumam ter um excelente apelo.

No entanto, como ressaltou o autor, nem sempre isso acontece. A falta de informação pode levar a grandes decepções. Conheço casos de pessoas que investiram durante mais de 30 anos em previdências privadas e, hoje, segundo as administradoras daqueles fundos, eles tem direito a receber a quantia de alguns centavos de reais por mês, por conta de atualizações monetárias e outras correções.

Obviamente que esses clientes prejudicados têm direito de recorrer à justiça e obterem algo mais próximo daquilo que acreditaram estar perseguindo. Porém, no Brasil, sabemos que isso pode se estender por vários anos, coisa que, especialmente nessa fase da vida, seria extremamente indesejável.

Não sou avesso a todos os tipos de previdência privada. Quando trabalhava como piloto, havia uma modalidade que, no papel, era interessante. Existia a figura de uma patrocinadora, que era a empresa onde se trabalhava. Essa patrocinadora entrava com uma parcela igual a do empregado, ou seja, se eu depositasse naquele fundo, digamos, 5% do meu salário, a empresa também colocaria o mesmo valor.

Esse acréscimo patrocinado pelo empregador pode fazer toda a diferença. Algumas empresas de outros setores copiaram esse modelo e estão oferecendo esse atrativo aos seus empregados. Faço, contudo, algumas considerações finais:

1. O Fundo pode simplesmente te deixar na mão! Independentemente das regras do setor, você pode ficar sem o dinheiro quando mais precisa (vide caso Aerus – previdência privada da VARIG e TRANSBRASIL).

2. O comportamento do investidor é sempre o quesito mais importante! De nada adianta investir num bom fundo e mudar de ideia no meio do caminho, perdendo todos os benefícios.

3. Nunca vale a pena confiar toda a sua previdência em uma só modalidade. Nesse caso específico, o bom é colocar o limite do que a patrocinadora coloca, ou seja, se a sua empresa coloca até 5% do seu salário, então, você contribui com 5%.

4. A maior de todas as previdências é a educação financeira! Pessoas que sabem economizar, jamais ficam pobres! Entenda que, ao contrário do que você imagina, você gastará mais e ganhará menos quando ficar velho, então é bom começar a gastar menos, desde já!

Caso você tenha interesse em saber mais sobre o assunto, deixe seu comentário que terei prazer em respondê-lo! 

Gustavo Higa

Proprietário da Foccus Coaching e consultor associado da Gestor Financeiro Pessoal.