Qual a melhor alternativa para sua aposentadoria?

Semana passada  prometi iniciar uma série de posts abordando investimentos. Neste primeiro artigo, achei conveniente falar sobre investimentos para aposentadoria, iniciando com a apresentação das várias modalidades para construir uma reserva para quando se aposentar.

Primeira alternativa: INSS

A opção mais tradicional (e não voluntária) é contribuir  para o INSS todos os meses através do deposito de uma parcela de seu salário que varia de 8 a 11%l, dependendo da sua faixa de renda, ou de 5 a 20% para contribuintes individuais ou facultativos.

Você poderá aposentar-se por tempo de contribuição (35 e 30 anos respectivamente para homens e mulheres) ou por idade (65 e 60 anos respectivamente). Existem também as chamadas aposentadorias especiais por periculosidade e para profissionais do ensino. O grande problema desta modalidade de aposentadoria pública é que, na grande maioria dos casos (exceto nas aposentadorias complementares públicas e nos fundos de empresas privadas - os chamados fundos de pensão fechados), mesmo que você contribua na alíquota máxima e  com os maiores proventos utilizados no cálculo que formam a média dos maiores salários de contribuição, existe um famigerado cálculo, o chamado fator previdenciário, criado durante o regime do Fernando Henrique Cardoso. Este fator é aplicado para cálculo das aposentadorias por tempo de contribuição e por idade, sendo opcional no segundo caso. Criado com o objetivo de equiparar a contribuição do segurado ao valor do benefício, o fator se baseia em quatro elementos: alíquota de contribuição, idade do trabalhador, tempo de contribuição à Previdência Social e expectativa de sobrevida do segurado (conforme tabela do IBGE).

Consequência?? Na grande maioria dos casos, você se aposenta com uma renda inferior ao que ganhava e que sofre constante deterioração do poder de compra pelos reajustes abaixo da inflação. E não se esqueça que, ao se aposentar dependendo somente deste beneficio, muitas despesas extras com plano de saúde, remédios, e outras - como lazer - se tornam cada vez mais onerosas ao aposentado.

Segunda alternativa: Fundos de Previdência Privada 

Há dois tipos de plano de previdência no Brasil: a aberta e a fechada. A aberta pode ser contratada por qualquer pessoa, enquanto a fechada é destinada a grupos, como funcionários de uma empresa, por exemplo.

Abaixo, as principais características de cada uma delas:

Fechada: é destinada aos profissionais ligados a empresas, sindicatos ou entidades de classe. Em linhas gerais, o trabalhador contribui com uma parte mensal do salário e a empresa banca o restante, valor que normalmente é dividido em partes iguais. Outras empresas, essas mais raras, bancam toda a contribuição.

Uma vantagem imediata é a possibilidade de se deduzir, com suas contribuições, de forma antecipada, até 12% da renda bruta na declaração anual do Imposto de Renda (no caso da modalidade PGBL - Plano Gerador de Beneficio Livre). Estima-se que as empresas de previdência complementar possuam cerca de 126 mil participantes que já desfrutam de benefícios de previdência do setor.

A outra modalidade, VGLB, Vida Gerador de Benefício Livre, é aconselhável para aqueles que não têm renda tributável, já que não é dedutível do Imposto de Renda, ainda que seja necessário o pagamento de IR sobre o ganho de capital (rendimentos).

Aberta: é oferecida por seguradoras ou por bancos. Um dos principais benefícios dos planos abertos é a sua liquidez, já que os depósitos podem ser sacados a cada dois meses ou formar uma renda para um beneficio vitalício.  O número total de participantes de planos abertos é estimado em 5 milhões de pessoas.

Quais as vantagens de fazer um plano de previdência privada?

A maior vantagem é o benefício fiscal, que adia (difere, no termo técnico) o pagamento do imposto de renda para o momento do resgate da aplicação. Ou seja, enquanto o poupador está na fase de acumulação de capital, ele não paga imposto, diferentemente do que acontece quando se aplica num fundo de investimento qualquer, onde se recolhe de 22,5 a 15% de imposto de renda sobre a rentabilidade. Essa é uma grande vantagem, pois, com esse dinheiro economizado, o poupador poderá reinvestir o dinheiro e assim garantir uma poupança ainda maior. Outra vantagem é que obriga o poupador a pensar no futuro e programar sua aposentadoria com aportes geralmente descontados diretamente de sua conta corrente, pois normalmente esses planos penalizam quem saca o dinheiro antes de um determinado prazo. O professor Mauro Halfeld, autor de livros sobre finanças pessoais, lembra que o maior perigo dos investimentos com muita liquidez (facilidade de transformar investimento em dinheiro), caso dos fundos de investimento, é que a pessoa pode abandonar a poupança para comprar um bem, sem se lembrar das consequências no futuro.

Quais as desvantagens de fazer um plano de previdência privada?

A maior desvantagem são os custos dos planos. As taxas cobradas pelos gestores dos fundos ainda são muito altas, bem maiores do que os fundos de investimento. Esse é um ponto a que o investidor deve ficar bem atento, pois dependendo da taxa cobrada, as vantagens fiscais se perdem.

Quais são os principais riscos ao se fazer um plano de previdência privada?

Os maiores riscos são: a empresa administradora do plano “quebrar”, a meta atuarial (cálculo de probabilidades e estatísticas) dos rendimentos futuros do plano não ser cumprida, a inflação corroer a sua aplicação.

Terceira alternativa: Forme uma poupança própria para construir sua aposentadoria

Se você é uma pessoa determinada e tem disciplina para não tirar seu dinheiro investido para consumo no decorrer da sua acumulação, esta seria, a meu ver, a melhor alternativa. Com ela, você terá a liberdade de, ao longo do tempo, fazer correções de seus aportes em modalidades mais rentáveis e mais indicadas de acordo com o cenário apresentado e aproveitar-se de seu eventual maior conhecimento futuro das diversas modalidades de investimento, Se você é jovem, comece a investir desde o seu primeiro salário, no mínimo 10% de seu salário, ideal 20%, e ate 50%, se você ainda mora com os pais. Afinal suas despesas são apenas as pessoais. A melhor modalidade inicial e que vai preservar seu patrimônio da inflação é investir em letras do tesouro direto de longo prazo atreladas à inflação, as NTNs, que garantem o IPCA mais uma taxa de juros pré-fixadas em contrato. Cadastre-se como investidor em seu banco e compre diretamente no site https://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto. Por exemplo:

Uma NTNB Principal 150535 com vencimento em 15/05/2035 poderá ser adquirida hoje por 721,76 (+ tx do banco custodiante) e paga IPCA (inflação) + 5,46% a.a  garantidos se você retirar tudo apenas no vencimento, apesar de poder vender todas as quartas feiras diretamente no mercado. Maior vantagem?? Você preserva seu poder de compra, não paga taxas de administração e carregamento aos bancos e tem liberdade de alterar seu "mix" de títulos e produtos.

Você poderá ainda, para alavancar seu investimento,  mesclar  com 10% em títulos imobiliários  e 10 a 20% em ações (ou fundos de ações), bastando para isso se cadastrar numa corretora de valores filiada à Bovespa. Nos próximos posts falaremos sobre este tema.

Mexa-se e comece já!

Boa semana.

Jaques Diskin é coach financeiro, autor do blog “1000 coisas que você deve saber antes que fique pobre”, onde esse texto foi originalmente publicado, e consultor associado da GestorFP na cidade de Porto Alegre-RS.