Melhores opções para minha carteira de médio/longo prazos.

Uma carteira de investimentos deve priorizar o equilíbrio entre os fatores retorno, risco e liquidez. A gente já vem falando disso há alguns posts.

Uma vez definidos seus objetivos e calculada sua capacidade (periódica) de poupança (quanto você consegue economizar para investir), dividimos a carteira em classes de liquidez e buscamos, em cada classe, maximizar a relação retorno/risco.

Classe "Curto Prazo"

Os recursos para sua reserva de emergência ou sua reserva para oportunidades de curto prazo compõem a classe mais líquida com duas premissas:

- Não queremos correr o risco de precisar “queimar” preço dos nossos ativos para fazer caixa;

- Não queremos volatilidade, para evitar que a necessidade de resgatar os recursos coincida com um período de volatilidade para baixo.

Essas duas premissas visam à preservação de principal e rendimento. Obviamente que o rendimento será baixo: estamos abrindo mão dele para maximizar liquidez e minimizar risco.

Classe "Médio/Longo Prazos"

Já para os recursos de médio e longo prazos, podemos abrir mão de liquidez e correr um pouco mais de risco, para aumentar o potencial de retorno.

Seguem alguns produtos/investimentos aplicáveis para esses recursos:

- Investir em clubes de investimentos ou montar uma carteira bem diversificada de ações, atentando para que a seleção das ações (tanto para o clube, quanto para a carteira) seja baseada em análise fundamentalista. Nessa opção, o potencial de retorno em maior que nas demais que apresentarei aqui, mas é também a mais arriscada, apesar da diversificação. Ou seja, é preciso entender que seu patrimônio vai (pode) aumentar muito e cair muito durante os anos de investimento. Tem que saber lidar com isso.

- Investir fundos multimercados. Nessa opção, a volatilidade é menor que na anterior, pois fundos nessa classe têm permissão para investir em vários mercados (daí o nome multimercado) como, por exemplo, renda fixa, ações, câmbio. Em contrapartida, o potencial de retorno é menor também (que na opção anterior).

- Investir em fundos de investimentos imobiliários. Essa opção tem uma volatilidade parecida com a de fundos multimercados, mas essa volatilidade é basicamente explicada pela baixa liquidez desse produto (como tem pequeno volume de negociação, qualquer ordem de compra ou de venda afeta sua cotação na Bolsa e consequentemente o patrimônio de quem possui esses ativos). Ou seja, aqueles que investem nesse produto precisam focar no recebimento de aluguel (isento de imposto de renda) e na valorização de longo prazo da cota, esquecendo o sobe e desce de curto prazo.

- Investir em crédito privado estruturado (CRI, CRA e debêntures de infraestrutura). Essa opção tem volatilidade parecida com a das NTN-B (notas do Tesouro Nacional) e risco de crédito do originador (empresa ou projeto que captou os recursos). É preciso, portanto, atentar para quem você está emprestando. Como o risco é mais baixo, o potencial de retorno é menor também. Entretanto, como são produtos incentivados (o investidor pessoa física não paga imposto de renda), o retorno fica majorado, melhorando a eficiência da sua relação risco assumido x potencial de retorno. Quem investe nesse tipo de ativo já se acostumou com uma linha inclinada quase reta como gráfico da evolução do seu patrimônio. O gráfico a seguir ilustra esse fato. No próximo post trago mais exemplos desses gráficos e explico a composição das carteiras que geraram os gráficos.

Resumindo: como para esses recursos não estamos preocupados com liquidez, nosso foco deve ser na maximização da relação retorno/risco (esse indicador é chamado de índice de Sharpe). Nossa experiência têm mostrado que o ranking para esse indicador é:

1º Crédito privado estruturado

2º Fundos de investimentos imobiliários

3º Clubes de investimentos ou carteira diversificada de ações

4º Fundos multimercado

Preciso finalmente dizer que o mercado está otimista e essa percepção deve durar pelo menos até o segundo semestre de 2019 (se não houver fato relevante até lá). Isso resulta num viés de alta no índice Sharpe de clubes de investimentos e carteiras de ações, fazendo com que essa opção suba para a 2ª posição, aproximando-se do índice Sharpe do crédito privado estruturado. Ou seja, faz sentido começar a alocar parte de seus recursos nessa opção.

Abraço,

Rodrigo Leone