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A teoria do controle contra ativo


por GestorFP

No último post sobre autocontrole, discorremos sobre a importância de distinguirmos os conceitos dos efeitos de curto e longo prazos. Para ler o últomo post, clique aqui.

Neste post falaremos sobre a Teoria do Controle Contra ativo (Counteractive Control Theory ou CCT).

De acordo com a CCT, se intensificarmos a importância dos resultados de curto prazo poderemos aumentar a capacidade de escolher que decisão tomar de acordo com as metas de longo prazo, o que faz com que nos comprometamos com as atividades de curto prazo: ao reforçar a importância de se fazer um exame de sangue pensando na saúde no longo prazo, tanto uma pessoa que espera que o teste seja doloroso (e provavelmente será, pois psicologicamente ela considera o checkup aversivo) quanto outra que espera que o mesmo procedimento seja agradável o farão. Contudo, ao reforçar tal importância antes do teste impede que a pessoa que tem aversão recue de sua decisão.

A Teoria do Controle Contra ativo (CCT) assume que as pessoas devem assumir os esforços pró-autocontrole de modo que eles sirvam de meios para alcançar as metas de longo prazo. Primeiro, esse esforço depende do valor dos resultados que se deseja a longo prazo. Quando tais objetivos de longo prazo não têm muito valor a motivação para se comprometer com eles é reduzida, fazendo com que os esforços para se controlar também se reduzam. Por isso se torna fundamental criar objetivos desafiadores, mas que também sejam relevantes em sua vida.

Em segundo lugar, o efeito dos resultados de curto prazo sobre o controle contra ativo não é monotônico, ou seja, não tem apenas um sentido: quando os custos de curto prazo de uma atividade são muito baixos as pessoas tendem a se sentir capazes de realizar uma atividade sem exercer autocontrole; quando os custos de curto prazo são extremamente elevados, as pessoas tendem a se sentir incapazes de realizar a atividade, mesmo que elas exerçam os esforços para se autocontrolar. Somente quando os custos de curto prazo de uma atividade são moderados que os esforços de autocontrole podem determinar se a atividade deve ser realizada.

Em terceiro lugar, as pessoas exercem o controle contra ativo ANTES, mas não após a realização de uma atividade. Antes de realizar uma atividade, o controle contra ativo pode ajudar as pessoas a escolherem e realizarem uma atividade. Depois de executar a atividade, o controle contra ativo (tal como reforçar a importância da atividade) só serve para reduzir algum arrependimento. A CCT prevê, portanto, que os resultados de curto prazo de uma atividade deveriam provocar o controle contra ativo antes e não após se comprometer com alguma atividade. Por exemplo, imagine que você está definindo o patrimônio que deve ser construído para que alcance a sua independência financeira e descubra que deve mudar de hábitos e talvez até reduzir seu padrão de vida para chegar lá: só que isso implica em abrir mão de consumo agora – é um processo bastante delicado, certo? Porém, se isso realmente for importante, atingir um patamar em que você pare de precisar de jogar o jogo do dinheiro, um patamar em que se torne dono absoluto do seu tempo, um patamar que você trabalha apenas naquilo que quer e porque gosta, talvez os custos de curto prazo tendam a ser melhor tolerados. Ou seja: o valor de se realizar tais mudanças devem ser enfatizados antes (e até durante) a realização do plano para independência financeira, mas não depois (se é que vai conseguir concretizá-lo).

Existe uma vasta literatura sobre diversas estratégias de autocontrole; Trope e Fishback propuseram 5 experimentos que avaliam o seguinte: (1) o efeito de penalidades monetárias de curto prazo caso o descumprimento das atividades de curto prazo afetem os resultados de longo prazo; (2) o efeito de recompensas contingenciais ou por performance que estejam relacionadas aos objetivos de longo prazo; (3) o efeito de desempenhar determinada atividade apesar do desconforto físico; (4) qual grau de desconforto que ativa a capacidade das pessoas se autocontrolarem; (5) o efeito de se elevar a percepção dos custos de curto prazo da atividade antes dela ser executada e não depois.

Sei que toda essa pesquisa tende a ser um assunto técnico, apesar disso, ela pode nos dar alguns caminhos para desenvolvermos nossas próprias técnicas para ativarmos nosso autocontrole e caminhar em direção aos nossos objetivos de longo prazo.

Por enquanto é só.

Até!

Phillip Souza

Sócio-diretor executivo da Criterion e autor do blog “Riquezas da Vida” que trata de diversos assuntos relacionados a comportamento financeiro, psicologia econômica, finanças pessoais e investimentos.

Consultor associado da GestorFP.

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