Gestor Financeiro Pessoal

Coaching |

Os 5 estágios das finanças pessoais: o estágio UM


por GestorFP

Essa é a terceira parte de cinco da série os 5 estágios das finanças pessoais. No primeiro estágio (estágio ABAIXO DE ZERO) abordamos sobre a completa falta de habilidade e inconsciência financeira que pode, inclusive, levar o indivíduo a se endividar seriamente – o que é muito comum. O estágio seguinte (estágio ZERO) tratou de mostrar algumas ideias e caminhos para aprender o básico das finanças pessoais: é aquela situação em que você começa a desenvolver consciência, mas não tem habilidade – tem, na verdade, muitos pequenos hábitos a serem desenvolvidos e sedimentados. Agora, vamos falar do estágio UM: de posse de mais habilidade e mais consciência financeira, você poderá acessar novas e interessantes ideias.

O estágio ZERO se trata de uma situação financeira pouco experimentada por grande parte da população brasileira, infelizmente. Lemos, vemos e ouvimos notícias de que nos últimos anos as pessoas estão muito endividadas devido a vários financiamentos contraídos nesse período. Assim como você não dorme de mal jeito e acorda com uma dívida, ou seja, ela não acontece da noite para o dia (salvo raríssimas exceções), você também pode não conseguir resolvê-la de uma só vez: o processo leva algum tempo.

Porém, depois de estancadas as dívidas e começar a poupar um dinheirinho, você pode ficar um pouco perdido: talvez até saiba a finalidade para aquele dinheiro poupado (uma viagem, algum curso que queira fazer, adquirir algum bem), mas também sabe que existem melhores opções para investir suas poupanças.

Ouve-se falar de bolsa de valores e seus elevados retornos; apesar de muitos esforços para desmitificar essa impressão, ainda tem-se a ideia de que bolsa é cassino e que só os grandes investidores é que têm excelentes resultados; paira na cabeça de muita gente que investir é coisa de rico, de gente que é abastado financeiramente. Ledo engano. Porém, se você nunca teve contato com o mundo dos investimentos, é bom que se comece com aplicações mais simples e mais seguras. De verdade: a caderneta de poupança pode até ser a opção mais tradicional e mais conhecida do brasileiro e, apesar de ter alguns usos quando se trata de investimentos, ela não é a melhor opção.

Bom… mas o que fazer primeiro? O primeiro investimento financeiro da vida de qualquer pessoa deveria resumir-se a essa expressão: Reserva de Emergência. Você já passou apertos financeiros, imprevistos (carro, saúde) em que teve que pegar emprestado dinheiro com alguém exatamente porque você não tinha os recursos para usar naquela situação – se não passou, certamente conhece alguém que já enfrentou essa tempestade. Não dá para saber de antemão o tamanho do prejuízo de um imprevisto, caso ele aconteça, mas dá para tentar diminuir o seu impacto. Então, assim que conseguir salvar dinheiro, direcione-o para a formação de sua reserva de emergência.

Mas surge a pergunta: qual deve ser o tamanho dessa reserva de emergência?

Segue uma imagem da oficina Começando a Investir de Verdade (INVST) do Programa MIDAS da Criterion, para ilustrarmos essa questão.

Já ressalto que esse é só um EXEMPLO. Seu caso pode ser diferente, mas essa ideia deve servir como referência para começar. Sua reserva de emergência tem que levar como base seus gastos, não o quanto você recebe. Pode ser que demore algum tempo para ser formada, mas para dar voos mais altos e mais confiantes, esse colchão de segurança tem que ser formado.

No exemplo da imagem, a reserva MÍNIMA para um trabalhador celetista (CLT) ou para um funcionário público (mesmo que tenha estabilidade) é de 3 meses, sendo que a reserva IDEAL é de 6 meses o valor das despesas da pessoa/família. Para um empresário ou profissional autônomo é necessário que esse nível de reservas seja maior (reservas para 12 meses de despesas), já que sua atividade profissional tende a ser mais arriscada que as demais.

Um outro ponto muito importante, talvez a ser implementado na fase de transição do estágio ZERO para o estágio UM são os seguros. “Para que pagar seguros?”, alguns podem resmungar. O seguro é uma proteção extra e necessária para você, sua família e para seus bens, especialmente os bens de alto valor, caso tenha. Um seguro de vida para um pai ou mãe que gera renda para a família é essencial: é chato falar assim, mas ninguém sabe se vai morrer daqui a pouco, amanhã, daqui 50 anos… então, se você se preocupa com sua família, pelo menos dê esse alento num momento em que pensar sobre dinheiro é bastante difícil. Seguro de automóvel é uma necessidade. Segurança pública no Brasil, especialmente em grandes cidades é um caso delicado e você pode ter uma surpresa ruim. Existem vários tipos de seguros, mas esses dois podemos considerar os mais importantes, pelo menos a princípio. E importante: consulte, pesquise, entenda como funcionam os seguros que contratar, suas coberturas e restrições. Em caso de dúvidas consulte um corretor de seguros independente, ou seja, aquele que não é afiliado a seguradora alguma.

Não desanime se você ainda não está nesse estágio. Você vai chegar. Como costumo dizer: continue continuando! Se, por outro lado, você se encontra por aqui, foque nisso que abordamos:

– Construa uma boa reserva de emergência para a sua segurança e de sua família;

– Compre seguros que cubram aquilo que você precisa;

– Comece, se for o caso, a trabalhar na realização de outros objetivos: viagem, trocar de carro, etc.;

– CONTINUE INVESTINDO PESADO EM SUA EDUCAÇÃO FINANCEIRA através de cursos, workshops, palestras, livros, leitura de blogs, artigos – NÃO PARE DE APRENDER!

– E, muito provavelmente, já aqui nesse estágio, você perceberá que muitos comportamentos se tornaram hábitos: é hora de estudar mais para implementar mais novos e positivos hábitos financeiros em sua vida – é aperfeiçoamento constante!

Vale atentar que na mudança de estágio anterior (de endividado [abaixo de zero) para sem dívidas [zero]) você possa experimentar viver uma vida barata, com baixíssimo custo. Construir uma vida frugal, cada vez menos dependente de dinheiro, não significa que você deva se privar de prazeres que o dinheiro pode te proporcionar. Você deve encontrar um equilíbrio, um meio termo. Dá uma lida sobre isso num artigo de meu blog, que chamei de Demanda reprimida: cuidado na hora de satisfazê-la! Vai te dar uma boa ideia do que estou falando.

O próximo passo, portanto, é o estágio DOIS: aquele em que vamos tratar de continuar no caminho para o sucesso financeiro.

Então, até lá!

Phillip Souza

Sócio-diretor executivo da Criterion e autor do blog “Riquezas da Vida” que trata de diversos assuntos relacionados a comportamento financeiro, psicologia econômica, finanças pessoais e investimentos. Consultor associado da GestorFP em Belo Horizonte.

Congresso de Coaching Financeiro: participe!

O CONACOACHFI é o 1º Congresso Nacional de Coaching Financeiro realizado no Brasil. Serão mais de 30 palestras com as maiores referências do Coach Financeiro do país, compartilhando métodos, técnicas, […]