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Dívidas e créditos |

Cartão de crédito: como fazer dele nosso amigo?


por GestorFP

Insisto no tema cartão de crédito, porque esse meio de pagamento seja talvez o mais ameaçador, tanto pela facilitação do consumo, quanto pela taxa de juros cobrada (mais de 400% ao ano, no rotativo).

Sempre que você usa seu cartão, você está contraindo uma dívida. Ao longo do mês, até a data de fechamento da fatura, todo consumo paga com seu cartão de crédito vai se acumulando e comporá a fatura daquele mês. Caso você pague a fatura inteira, essa dívida terá tido custo zero. Caso você pague qualquer valor entre o mínimo (15% da fatura) e o total, essa dívida vai custar em média 14,73% ao mês.

Assim sendo, é imprescindível que você entenda que o cartão é um meio de pagamento, assim como o cartão de débito, o cheque ou o dinheiro em espécie e, portanto, você precisa ter os recursos para honrar as compras, mesmo que só na data do vencimento da fatura. Seu cartão de crédito não é renda!!

A melhor forma de não estourar seus limites de recursos e evitar o endividamento no rotativo é ter orçamento. Você precisa acompanhar e controlar seus gastos.

A tabela a seguir apresenta o que vai acontecer no caso de você insistir em pagar apenas o mínimo da fatura.

No caso, o consumo mensal é de R$600,00. No primeiro mês, você paga apenas R$90,00, equivalente a 15% da fatura, e fica devendo R$510,00. No segundo mês, esses R$510,00 são somados ao consumo de R$600,00 daquele mês e aos juros sobre esse saldo devedor (14,73% x R$510,00 = R$75,11), de forma que a fatura recebida totaliza R$1.185,11. Mais uma vez, você paga apenas o mínimo (R$177,77) e fica devendo R$1.007,34. No terceiro mês, esse saldo devedor é somado ao consumo (novamente de R$600,00) e aos juros (14,73% x 1.007,34 = R$148,35), levando a fatura para R$1.755,70. Como você só pagará o mínimo (R$263,35), ainda ficará devendo R$1.492,34 e, no mês seguinte, tudo se repetirá.

Ao final de 12 meses, você terá pago R$6.419,12 e ainda estará devendo R$5.350,04. Acredita?? E mais, mesmo que no mês seguinte (13º mês) você não consuma nada no cartão, a fatura virá no valor de R$6.137,95.

Se você está nesse caso, o que fazer?

A solução mais indicada é a troca de dívida: se você tiver margem, tente tomar um empréstimo consignado para quitar o saldo devedor do cartão. Com essa iniciativa, você vai trocar uma dívida de quase 15% ao mês por outra de cerca de 4% ao mês. Ainda é ruim, mas é bem menos cara. Em 2015, a margem que era de 30% passou para 35%, sendo que esse percentual a mais só pode ser utilizado para pagamento de dívidas de cartão de crédito.

Tente também antecipar a restituição do imposto de renda (caso você tenha imposto a restituir) ou antecipar o 13º salário. Como também são empréstimos consignados, as taxas são competitivas. Apenas lembre-se de que, uma vez antecipados (restituição e/ou 13º), você não terá mais direito a eles quando esse recurso for depositado em sua conta. Na verdade, ele será automaticamente desviado para o banco que lhe concedeu o empréstimo pela antecipação.

Outra solução, essa mais desgastante, é simplesmente não pagar. Você receberá avisos de débitos atrasados e será inscrito no Serasa/SPC, mas, só assim, a operadora do cartão abrirá a possibilidade de negociação. Parece contraeficiente, mas, enquanto você estiver pagando apenas o mínimo, com o saldo devedor aumento naquelas proporções da tabela anterior, não há espaço para negociação, porque você, até então, não está inadimplente. Uma vez inadimplente, a operadora vai correr atrás dos recursos dela, vai sentar para negociar e vai aceitar dar descontos e facilitar o pagamento. Afinal, é melhor receber menos do que não receber nada. E você que já queria negociar enquanto não estava inadimplente. Vai entender!! 

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