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Dívidas e créditos |

Cartão de crédito x cheque pré-datado: round 1


por GestorFP

Certa vez, há uns três anos, quase fiquei sem combustível no carro. Ao perceber que o tanque estava na reserva, parei o carro para reabastecer no primeiro posto que avistei. Para minha surpresa, o estabelecimento mostrava uma placa pintada em vermelho bem vivo e com letras garrafais onde ostensivamente lia-se “não aceitamos cheques”. Perguntei ao frentista se aceitaria o pagamento com cartão de crédito e ele me respondeu que sim, mas que o preço praticado seria outro, em torno de 5% mais caro.

Desde o episódio, pude tirar algumas conclusões, uma delas óbvia: pretender pagar algo em cheque havia se transformado em um transtorno para qualquer cidadão, independentemente do cheque ser especial (Ouro, Azul, Van Gogh, Prime, sei lá…). O olhar de desconfiança que o lojista faz quando você puxa um talão de cheques para pagar uma conta é uma situação quase constrangedora que faz com que, quase se desculpando, você tome a iniciativa de pagar utilizando cartão de crédito, sem se atentar para as implicações dessa opção.

Por conta dessas e outras, o cheque foi quase extinto como forma de pagamento do consumo das famílias e, assim, as operadoras de cartão de crédito só têm tido o que comemorar desde que conseguiram vencer a batalha contra o seu maior concorrente no Brasil, qual seja, o cheque.

Mas, o que há de errado nisso tudo? Poderíamos dizer que venceu o melhor, afinal os cartões de crédito são mais práticos, confiáveis, elegantes, cômodos, bem aceitos, seguros e modernos, como diriam seus adeptos mais habituais. Todas essas vantagens apontadas são verdadeiras, contudo sempre existe o outro lado dessa “moeda”…

Continua no round 2.

Por Leonardo dos Anjos, doutorando em Direito Econômico pela Universidade de Coimbra, pesquisador da Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal, FCT e Professor de Direito Econômico do UNIPÊ.