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Dívidas e créditos |

Margem consignável ampliada… UFA!??


por GestorFP

Hoje, 13/07/2015, foi publicada no DOU a MP 681/15 que amplia a margem consignável (aquela referente ao crédito consignado, mais conhecido como “descontado na folha”) de 30% para 35%. Mais especificamente, a partir de hoje, empregados celetistas e aposentados e pensionistas do INSS poderão “gastar” até 35% de seus salários e/ou de suas verbas rescisórias com prestações de empréstimos, financiamentos, cartão de crédito e operações de arrendamento mercantil, sendo que, desse novo percentual, 5% são exclusivos para quitação de dívidas relativas a cartão de crédito.

Vale ressaltar que quem assinou a MP foi nosso Vice-Presidente, Michel Temer, como parte, dizem, dos acordos políticos de sustentação ao ajuste econômico promovido pelo Governo Federal.

Aí eu pergunto: acordos com quem?

Quem tem interesse em dar mais crédito a uma população que não sabe consumir, não tem educação financeira e já tem, em média, 46% de sua renda comprometida com dívidas (ruins, na maioria dos casos)?

Voltando ao tema:

Para poder “gastar” esse percentual de 35%, os empregados, pensionista e aposentados precisam autorizar o desconto em folha. Só que essa autorização é irrevogável e irretratável. Isso quer dizer que você não pode voltar atrás, nem mesmo se só estiver utilizando menos que 30%!!

Quando se aumenta a margem consignável, aumenta-se o crédito (barato em relação ao cheque especial e ao rotativo do cartão de crédito, mas caríssimo em relação às taxas de juros internacionais), cria-se, principalmente para aqueles sem educação financeira, a ilusão de mais salário, mais renda e estimula-se o consumo.

Ou seja, o tiro pode sair pela culatra.

Imagina aquela pessoa que está com toda sua margem consignável atual (30%) comprometida com empréstimos e financiamentos, porém sem nenhum percentual em cartão de crédito.

O que pode acontecer?

Essa pessoa vai poder “gastar” mais 5% de seu salário se endividando no rotativo do cartão de crédito.

Então a medida não é bem-vinda?

Para quem tem menos de 5% dos 30% de margem consignada no rotativo do cartão de crédito, a medida é péssima, pois essas pessoas são, geralmente, consumistas e não têm controle de suas finanças.

Para quem tem 5% ou mais, a medida é essencial para a gestão da dívida, uma vez que permite que o endividado troque uma dívida mais cara (taxa média de juros do rotativo do cartão de crédito está por volta de 360% ao ano) por outra menos cara (taxa média de juros do crédito consignado está por volta de 28% ao ano).

Assim sendo, vale aquela máxima em finanças pessoais: independente do custo do crédito, só faz sentido se endividar se a aquisição representar uma oportunidade ou for uma essencialidade.

Obs. A imagem que ilustra esse post foi retirada do site emprestimoconsinado.org.