Gestor Financeiro Pessoal

Dívidas e créditos |

Vale a pena antecipar crédito?


por GestorFP

Muitos empresários vêm recorrendo à antecipação de crédito para honrar seus compromissos de curto prazo. Apesar de ser uma medida remediadora, nossa experiência tem mostrado que essa é uma prática recorrente e que tem se intensificado nesse período de crise.

Por que isso acontece?

Acontece principalmente pela má precificação e pelo mau dimensionamento da demanda. Para estabelecer o preço, o empresário:

– Deve levar em conta os custos (de produção, transformação ou aquisição), as despesas de venda (como comissões, bonificações e frete), os impostos (incidentes sobre o lucro, sobre os custos e sobre o faturamento) e a margem desejada;

– Deve avaliar se esse preço é praticável (comparando-o com os preços dos concorrentes);

– Deve dimensionar a demanda em função desse preço e

– Precisa entender que essa margem multiplicada pela demanda tem que pagar os custos fixos e deixar lucro.

E para piorar, se o empresário resolver dar prazo ou parcelar, tem que calcular o custo financeiro dessa facilidade oferecida aos clientes e inserir esse custo no preço. Até porque, se o preço não estiver bem estabelecido e a demanda não estiver bem dimensionada, o empresário precisará antecipar os recebimentos futuros para honrar seus compromissos e pagará caro por isso.

Quer dizer que o empresário pode recorrer à antecipação para pagar os custos fixos?

Pode, mas não é indicado. Os custos fixos devem ser pagos com a receita operacional. Melhor dizendo, a operação deve gerar caixa suficiente para pagar os custos variáveis e os custos fixos (com energia, pessoal, estrutura, etc.).

Todo crédito tomado para remediar é mais caro que o crédito tomado com planejamento. É um mal necessário, mas não pode durar para sempre, pois consome grande parte da margem. E, no caso do produto ou do serviço ter sido mal precificado, pode gerar prejuízo e até margem negativa.

O que fazer, então?

Primeiro de tudo, estimar o tamanho do seu mercado e entender corretamente sua participação nesse mercado. Se tiver que crescer, cresça com sustentabilidade: crescer rapidamente, além das possibilidades, pode gerar falta de caixa, falta de capital de giro.

Precifique corretamente, levando em conta o que apontamos acima. Só dê prazo se sua margem permitir ou se esse custo puder ser repassado para os clientes. Se tiver que dar prazo, tente negociar com seus fornecedores. Quando você consegue prazo com eles, o repasse de prazo para seus clientes sai de graça! Quem estará financiando o prazo e o parcelamento serão seus fornecedores. Você ganhará competitividade em condições de pagamento, sem precisar pagar por isso.

Outra solução é trocar a antecipação de crédito por financiamento planejado de capital de giro.

Pense ainda se não vale a pena dar um passo atrás. Reduzir a sua oferta para precisar de menos capital de giro e vender os ativos que dão suporte a esse tamanho além do possível. Isso lhe ajudará inclusive a quitar algumas dívidas de curto prazo que talvez tenham sido tomadas…

Obs. A imagem que ilustra esse post foi retirada do site www.uniprimebr.com.br, ao qual recomendamos a sua visita.