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Educação financeira |

Finanças do casal: não durma com o inimigo financeiro!


por GestorFP

Quando a Patrícia Gouveia, produtora do programa Correio Manhã, me ligou sugerindo as finanças do casal como tema do nosso quadro para a semana, fui logo dizendo:

“Mais um da série ‘Faça o que eu digo, não faça o que eu faço’”.

Disse isso, porque sei como é difícil transformar a teoria em prática quando o assunto é a divisão das despesas em casa e o alinhamento dos objetivos, das prioridades e dos investimentos do casal. A casa tem suas necessidades, mas cada um dos cônjuges também tem, e, nem sempre, ou melhor, quase nunca, essas necessidades individuais são iguais para homem e mulher.

Por isso, quanto antes o casal tomar as rédeas desse assunto, melhor. Aqui em casa, a gente consegue menos do que eu gostaria…

Para facilitar, vamos apresentar nossas considerações para as diferentes fases do relacionamento, finalizando por uma sugestão de divisão de contas bancárias e investimentos.

Namorados

– Observe como seu par se relaciona com o dinheiro. Ele é pão duro? É controlado? É gastador? Observe como ele “ganha” dinheiro. Ele “corre atrás”? Ele vive de “mesada” dos pais? Se sim, como ele lida com isso: gosta, se acomoda, fica incomodado?

– Converse com ele sobre seus planos (morar no exterior, ter filhos, viajar, fazer pós-graduação, etc.). Peça a opinião dele. Peça para ele lhe contar os planos dele. Dê sua opinião.

– Como vocês dividem as despesas quando se encontram? Quem paga a conta do restaurante? Quem paga o cinema? Cada um paga uma vez? Ele paga sempre? Você paga sempre?

Na fase do namoro, é possível tirar muitas conclusões, inclusive ter uma noção sobre as dificuldades das decisões em conjunto lá na frente.

Morando juntos

– Se você foi morar no apartamento do seu cônjuge ou se ele foi morar no seu, será que um aluguel é devido como custo de oportunidade? Se o apartamento é alugado, vocês vão dividir o aluguel a partir de agora? E as demais contas como energia elétrica, condomínio, IPTU, TV a cabo? Sei que dá vontade de antecipar, mas é sempre melhor deixar tudo isso bem definido antes de levar sua escova de dente para lá (ou de deixar que ele traga a escova de dente dele para seu apê).

– E se vocês decidirem que vale a pena comprar um apartamento próprio? Como vocês dividirão o financiamento e os investimentos necessários, como móveis e eletrodomésticos?

– E as despesas correntes, com padaria, mercado, diarista, combustível do carro (se ambos usarem o mesmo)? Vão dividir meio a meio ou cada um arcará com um percentual de acordo com a renda?

– E as despesas supérfluas, como cinema, balada, restaurante? Quem paga? Vão continuar como faziam quando eram namorados ou muda tudo agora que moram juntos e têm um monte de despesas em conjunto?

– E as despesas extras, sejam aquelas planejadas (viagens, pós-graduação) ou aquelas que não dá para planejar (encanador, eletricista, conserto da geladeira ou da máquina de lavar)?

Vejam quantas situações de potencial desgaste, se as coisas não forem bem conversadas.

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Casados

Agora que estão casados, além dos atritos por todas as despesas (já comentado acima), vocês têm planos bem maiores para alinhar: casa própria, filhos, aposentadoria… É imprescindível expô-los, defendê-los, redefini-los, priorizá-los e, em conjunto, encaixá-los dentro do planejamento financeiro do casal.

Só que, mesmo casados, vocês precisam manter suas individualidades. Daí as questões:

– Como separar os investimentos pessoais dos investimentos do casal?

– É mais indicado ter uma única conta conjunta ou ter contas separadas? Ou ainda: é possível encontrar um meio termo?

– Sem se esquecer de: “como será a divisão de todas as despesas?”

Para respondê-las, preparamos o quadro a seguir:

Explicação (essa sugestão se aplica a casais cujas rendas do marido e da esposa são parecidas):

Cada cônjuge mantém uma conta individual e o casal abre uma conta conjunta. Cada vez que a renda mensal entrar nas contas individuais, os cônjuges transferem 75% do valor para a conta conjunta. A soma dos 75% de cada cônjuge deve ser utilizada para as despesas mensais, as despesas extras e os investimentos do casal.

Já os 25% que restam nas contas individuais podem ser utilizados (gastos ou investidos) como cada cônjuge bem entender.

Mas atenção!

É preciso ter responsabilidade nos gastos e, principalmente, nos empréstimos/financiamentos que fizerem (nas contas individuais), pois uma má gestão da parte individual vai influenciar e comprometer a parte conjunta e a parte individual do outro cônjuge. Assim, por mais que cada um mantenha sua individualidade, é interessante que vocês definam uma periodicidade para a prestação de contas, quando cada um apresentará os extratos bancários e um breve relatório dos compromissos financeiros assumidos.

Afinal de contas, ninguém quer dormir com o inimigo, né?

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