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Educação financeira |

O defeito de estar satisfeito!


por GestorFP

Você está satisfeito com sua vida ou queria ter mais dinheiro? Queria ter uma casa melhor, mais segurança, mais oportunidades e educação de qualidade?

Ou bastam saúde, paz e fé em (seu) Deus para ser feliz, e o que vier além disso é lucro?

Bom, se você está satisfeito, esse texto é para você, pois um dos maiores defeitos do ser humano (e do brasileiro em especial) talvez seja a satisfação.

Ressalva: estou generalizando ‘o brasileiro’ com base na minha percepção. Posso estar redondamente enganado.

Um dos maiores defeitos… O que isso significa?

Satisfação não o mesmo que felicidade. Satisfação é contentamento; é o prazer experimentado com a realização do que se espera, do que se deseja, que nem sempre é o ideal. A satisfação é relativa, tem a ver com custo-benefício e pode ser medida pela diferença entre expectativa e percepção.

Em outras palavras, a satisfação é definida pela comparação entre aquilo que esperamos ou que nos é suficiente, que precisamos ter e que precisamos fazer para nos manter, e aquilo que percebemos ou que precisamos fazer para mudar, para melhorar, para prosperar.

Não estou dizendo que o brasileiro não corre atrás, que não é batalhador. É sim. E mais que muitos outros povos. Mas é um batalhador para, na maioria dos casos, garantir sua sobrevivência ou seu status quo nesse ‘pântano cheio de areia movediça’ em que nos encontramos.

Por exemplo, se o preço da gasolina, da energia elétrica, do arroz e/ou dos remédios vai subir, mas a interferência desses aumentos no nosso dia-a-dia pode ser absorvida sem prejuízo muito grande no padrão de vida, não há motivo para reclamar. A gente aceita passivamente. Até nos indignamos junto com a pessoa que está do nosso lado na fila do caixa, mas não passa disso. O custo de reclamar e exigir supera o benefício de preços mais estáveis e não abusivos, pois o nível de satisfação quase não foi alterado.

Muitos brasileiros vivem com o bolsa-família. Se é pouco, mas é suficiente, e se o esforço para receber esse auxílio foi mínimo, a satisfação está garantida. Não estou julgando a importância, nem a eficácia do programa na redução da miséria. Estou dizendo que muitos desses brasileiros ficaram acomodados. Tenho convicção de que o assistencialismo é uma solução provisória, pode durar por anos, mas não é a solução definitiva, justamente por criar dependência e sensação de “isso me basta”.

Agora estenda essa questão da satisfação para a situação atual e para os prognósticos de curto, médio e longo prazos do Brasil. Você está satisfeito com o que vem acontecendo? Você está satisfeito com o que está para acontecer? Você está satisfeito com o que imagina que seu filho encontrará daqui a 10, 20 anos?

Claro que não. Você está muito incomodado com isso!

Só que não basta se incomodar.

Se a corrupção impede mais investimentos em saúde, habitação, segurança, educação e infraestrutura, mas a percepção do impacto dessa falta de compromisso e ética governamentais não se distancia demais da expectativa que criamos, não há motivo para ir às ruas.

“Sempre foi assim mesmo”, é o que pensamos. Ou pior: “é a vontade de Deus”, e deixamos passar.

Acordemos! É preciso agir, exigir! Precisamos querer mais.

Se a corrupção nos obriga a pagar uma conta que não é nossa, com reformas propostas às pressas e impostas goela abaixo, eles que arranjem outras formas de resolver! Não podemos entregar as conquistas. Não podemos abrir mão dos nossos direitos. Que papo é esse de se não mudar agora vai faltar amanhã?

Parêntesis: estou esbravejando fundamentado em dados secundários e em informações/opiniões de outros autores/estudiosos. Talvez não exista outra solução mesmo… Precisaria conhecer os dados reais. Mas isso só no dia que eu quiser (e conseguir) entrar para a vida pública.

Fomos educados para ficarmos satisfeitos.

Estudamos para entrar na faculdade e, ao nos formarmos, conseguir um emprego. É o sonho dos nossos pais, assim como foi o sonho dos pais de nossos pais. Prestamos concurso para um emprego público, pois esse emprego nos garante estabilidade, com uma renda mensal suficiente para o sustento de nossas famílias, sem a necessidade de assumirmos riscos. Ficamos satisfeitos com nossos salários e com a rotina. Preferimos a previsibilidade em detrimento da possibilidade de ganharmos mais.

(Claro que muitos empregos públicos são ocupados por vocação e outras razões, além da estabilidade e da previsibilidade. Porém, meu foco aqui é só nesses aspectos).

Vivemos nos enganando dizendo que não precisamos de muito dinheiro para sermos felizes, mas nos esquecemos de que a satisfação com o salário de empregado vai nos manter na roda-viva de viver para pagar as contas até nossa aposentadoria e, provavelmente, por mais anos depois dela.

A educação que recebemos nos limita. Primeiro porque é de má qualidade (os professores são tão vítimas quanto os alunos). Segundo, porque não discute temas essenciais como atualidades, empreendedorismo, economia, negociação, política, direitos (que têm a ver com esse texto) e cidadania, ética, meio ambiente e saúde.

Agora, responda: a quem interessa esse sistema educacional que nos aprisiona?

Se não lutarmos por um ensino fundamental de qualidade, multidisciplinar e acessível a todos, para entrarmos num ciclo virtuoso de pais educadores (por conhecimento e exemplo), nunca mudaremos nada.

A satisfação tem a ver com a região de conforto. Aqueles que permanecem na região de conforto não buscam seus maiores sonhos. Sonhar grande e sonhar alto são a base da prosperidade. Querer mais do que apenas aquilo que lhe satisfaz é a atitude dos vencedores.

Se não for para colhermos os frutos, nem mesmo nossos filhos, que nossos netos ou bisnetos os colham.

Cada degrau que subimos como sociedade deve ser comemorado. A cada vitória, vamos nos satisfazer momentaneamente, mas não vamos nos acomodar. Não importa aonde chegarmos, haverá sempre algo a mais para buscarmos. Inclusive, um país mais justo e mais digno para todos.

Um abraço,

Rodrigo Leone

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