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O que compõe nossa conta de energia elétrica?


por GestorFP

A conta de energia elétrica que pagamos depende da tarifa (preço do kWh), dos impostos e do nosso consumo (medido em kWh).

Quanto maior a tarifa, mais alta a conta. Quanto maior os impostos, mais alta a conta. Quanto maior o consumo, mais alta a conta.

Desses três fatores, apenas o consumo está sob nosso controle. Por isso, é importante consumirmos de forma consciente, evitando desperdícios.

A tarifa e os impostos são fatores externos (sua definição não está em nossas mãos), mas cabe a nós buscarmos informações sobre eles para antecipar as variações em seus valores e podermos nos preparar melhor.

É disso que vamos tratar agora…

A tarifa de energia elétrica depende do preço de geração, do preço de transmissão, dos custos de distribuição e do lucro da distribuidora.

Revisão tarifária

A tarifa é definida no ato da concessão, mas precisa ser revisada periodicamente, para que o equilíbrio dos ganhos e das perdas se mantenha entre as partes (governo e concessionário). No Brasil, esse período é de quatro anos.

Bandeira tarifária

O preço da geração de energia elétrica depende da fonte: hidráulica (usinas hidroelétricas), gás natural, petróleo e carvão (usinas termelétrica), eólica, nuclear, solar, biomassa, sendo a hidráulica, geralmente, a mais barata.

O Brasil é privilegiado nesse aspecto, pois conta com uma bacia fluvial importante. Porém, quando as chuvas diminuem, a produção de energia hidroelétrica se torna insuficiente para abastecer a demanda, de forma que é preciso acionar as usinas termelétricas, bem mais caras.

É nesse momento que entra em cena a bandeira tarifária. Dependendo de quão mais cara fique a geração de energia elétrica, muda-se a cor da bandeira (de verde para amarela e de amarela para vermelha) e mais (nós, consumidores) temos que pagar para dividir essa conta.

– Bandeira verde: sem acréscimo;

– Bandeira amarela: acréscimo de R$2,00 para cada 100kWh consumidos;

– Bandeira vermelha – Patamar 1: acréscimo de R$3,00 para cada 100kWh consumidos;

– Bandeira vermelha – Patamar 2: acréscimo de R$3,50 para cada 100kWh consumidos.

Indenizações

As indenizações acontecem quando o governo precisa, por algum motivo contratual, ressarcir as concessionárias. No caso atual (abril de 2017), as indenizações são devidas por conta da antecipação de investimentos em modernização feitos pelas concessionárias em 2012.

E, claro, quase sempre quando o governo precisa pagar algo, ele divide com a gente, o que aumenta nossa conta.

Desconto

Diferentemente das indenizações, os descontos são ressarcimentos na conta dos consumidores. Mais isso não quer dizer que a conta diminuiu. Isso quer dizer que o governo está devolvendo algo que foi cobrado indevidamente. O caso de abril/2017 é o seguinte: no ano passado, nossa conta de energia elétrica ficou mais cara, entre outros, porque o governo adicionou uma parcela para bancar a operação da usina nuclear Angra 4, cujo custo de geração é bastante elevado, prevendo a necessidade dessa fonte por causa da pouca chuva. Entretanto, essa medida não foi necessária, e o governo está devolvendo o que foi cobrado a mais.

Obs.: a imagem que ilustra esse texto foi tirada do site Hipersolar, em um post de final de 2014 explicativo das bandeiras tarifárias. Para acessar esse post, clique aqui.