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Educação financeira |

Os 5 estágios das Finanças Pessoais


por GestorFP

Em alguma fase da vida, a maioria de nós vamos ter algum tipo de dívida. Ela pode ser muito ruim, dependendo da forma como se enxerga a dívida; mas também pode ser um momento positivo, se decidirmos encará-la, resolvê-la e vencê-la – no final das contas, será um grande e valioso aprendizado!

Nas finanças pessoais, é natural que cometamos erros: primeiro porque a vida financeira de cada um é muito específica – o que funciona para mim não necessariamente funcionará para você. E, além disso, temos um espectro imenso de possibilidades quando se tratam de necessidades, desejos e objetivos, dando um toque ainda mais personalizado à questão. Porém, uma coisa é certa: caso você esteja com dívidas bastante elevadas (e até mesmo descontroladas), um erro pode significar que você fique à beira de um abismo. Dá para sair do buraco caso você caia, mas dói.

Navegando pela internet, lendo vários textos nacionais e internacionais, encontrei uma ideia bem bacana no Get Rich Slowly, sobre os “Estágios das Finanças Pessoais”. O autor dessa série de publicações e também fundador do blog, J.D. Roth, define 5 estágios em que vou adaptar algumas ideias para contextualizar à nossa realidade aqui no Brasil.

Todas essas 5 etapas parecem-se muito com a forma como nós aprendemos qualquer coisa na vida:

Primeiro, vamos tratar do que vou chamar de estágio abaixo de zero, em que a pessoa não tem habilidade financeira alguma – que, infelizmente, é a realidade de grande parte dos brasileiros. Muitas vezes a pessoa não tem consciência alguma, usa seu dinheiro praticamente sem pensar – vai no fluxo. Ela costuma viver de forma reativa, gastando seu dinheiro em resposta aos estímulos externos. Isso também acontece com outras áreas em nossa vida: a princípio você não sabe digitar; não sabe dançar; não deu sua primeira tragada; não sabe tocar um instrumento musical;

Depois, adquirimos consciência, mas a habilidade ainda é parca – aquela primeira tragada caiu muito mal, você ainda fica “catando milho” quando está digitando; ao tocar um instrumento o som não sai harmônico, bonitinho (está mais para um conjunto de ruídos!) – tudo é muito desajeitado, antinatural e, muitas vezes, assustador! Nas finanças pessoais vamos chamar de estágio zero em que trataremos sobre a aprendizagem básica que, só com ela, já temos um diferencial gigantesco quando o assunto é dinheiro. Vamos falar um pouco sobre a compreensão dos juros compostos, redução de dívidas e sobre poupança (não, não é sobre “caderneta de poupança”!).

Em seguida, com a consciência adquirida, caso continuemos a praticar, ganhamos mais habilidade, pois devido ao processo de continuidade ficamos mais confortáveis na execução – quando o cigarro começa a ser saboreado; quando não se presta tanta atenção ao tocar um instrumento; quando dançar se torna mais fluido – você começa a pegar “o jeito da coisa”. O estágio um vai tratar de explicar como colocar o aprendizado básico em prática: escolher uma vida frugal, poupar com consistência e perseguir objetivos financeiros.

Daí, temos mais um estágio em que tal comportamento ou atividade você se torna inconsciente e habilidoso: praticamente você não tem que pensar, simplesmente faz! Esse vai ser o estágio dois que significa fazer mais do mesmo – continuar no caminho para o sucesso financeiro. Talvez nesse momento você comece a se questionar do porquê de estar fazendo isso, quais as razões para poupar, o que fazer em seguida: questionamentos normais que também vamos procurar trabalhar quando falarmos desse estágio.

E, por fim, temos o último estágio que é a maestria: quando realmente você ficou muito bom em determinada coisa que acaba se destacando da multidão. Esse seria o estágio três (e último) é a Independência Financeira: aquele momento em que você acumula dinheiro o bastante para custear sua vida através de renda passiva sem que você precise trabalhar. E não, você não precisa ser o sortudo que acerta as 6 dezenas da Mega Sena sozinho e nem precisa de R$ 1.000.000,00 para se tornar financeiramente independente. Falaremos disso no momento devido.

Então fica o convite! Na próxima publicação começaremos com o estágio abaixo de zero – em que a pessoa não tem nem consciência do que está fazendo!

Até lá!

Phillip Souza

Sócio-diretor executivo da Criterion e autor do blog “Riquezas da Vida” que trata de diversos assuntos relacionados a comportamento financeiro, psicologia econômica, finanças pessoais e investimentos. Consultor associado da GestorFP em Belo Horizonte.