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Você precisa ter uma reserva financeira para emergências!


por GestorFP

Um dos objetivos primários do planejamento financeiro pessoal/familiar é a manutenção do padrão de vida. Para alcançá-lo, devemos cuidar do nosso caixa (priorizar despesas para não gastar mais do que ganha), contratar seguros (saúde, carro, odontológico) e poupar para termos uma reserva de emergência (para aquilo que os seguros não cobrem e para outros imprevistos como o conserto de eletrodomésticos, revisão do carro, compra de pneus, ou um reparo em casa até situações mais críticas como desemprego, separação ou morte).

Quantos de nós sabe controlar e controla seu caixa mensal? Quantos de nós tem um orçamento e sabe quanto pode gastar com cada item de despesa?

Quantos de nós contrata seguros? Quantos de nós prefere (ou é financeiramente obrigado a) ficar descoberto?

Quantos de nós tem uma reserva financeira?

Sobre essa última questão, pasmem, uma recente pesquisa do SPC e da CNDL revelou que 65% dos brasileiros não têm.

Obviamente, os resultados não podem ser inferidos para toda a população brasileira – uma vez que a amostra não foi representativa –, mas não deixam de ser uma informação relevante.

Além desse resultado, a pesquisa revelou que mais da metade daqueles que têm reserva precisaram resgatar pelo menos parte dela para pagar contas do dia a dia de casa, arcar com gastos imprevistos (finalidade correta das reservas) e para despesas extras.

A explicação para a dificuldade de poupar para acumular uma reserva de emergência é a diminuição da renda do brasileiro: desemprego e salários estagnados contra juros altos (dívidas mais caras), inflação (preços mais altos) e mais impostos e tarifas (vide a CIDE nos combustíveis e a bandeira tarifária na energia elétrica).

Some-se a isso a falta de educação financeira da população que teima em manter vícios como o imediatismo e o materialismo, não sabe lidar com o crédito, nem com os apelos ao consumo e não tem organização, nem controle de seu fluxo de caixa.

Mas nunca é tarde para começar a reverter o jogo. Se sua intenção é criar essa reserva, seguem as dicas:

– Anote seus gastos e seus ganhos;

– Separe um percentual de seus ganhos (não precisa ser muito) e tente passar o mês com a diferença. Por exemplo, se você separou 5%, tente viver com 95%;

– Se conseguir, aplique o montante separado na caderneta de poupança;

– Priorize suas despesas. Elimine o que for desperdício e desnecessário;

– Separe um percentual maior à medida que for conseguindo passar os meses com as diferenças sem comprometer sua qualidade de vida;

– Continue aplicando as diferenças na caderneta de poupança;

– Tente chegar, no mínimo, a 10% dos ganhos;

– Ao chegar nesse percentual, transfira seus recursos acumulados na caderneta de poupança para uma aplicação mais rentável;

– Deposite a diferença, todo mês, nessa mesma aplicação, até que o saldo alcance 6 vezes o valor de seus ganhos mensais.

Lembre-se:

1. Quanto mais você economizar, menos tempo você vai ter que esperar até alcançar o montante seguro para sua reserva.

2. Quanto mais você economizar, mais você terá (de saldo) no mesmo intervalo de tempo.

Fizemos uma simulação de investimento para você entender na prática. Consideramos uma taxa real (já descontada a inflação) de 0,4% ao mês.

Se você poupar e investir 10% dos seus ganhos, em 54 meses você alcançará o montante igual a 6 vezes o total de seus ganhos. Por exemplo, se você ganha R$1.000,00 e investe R$100,00, em 54 meses você terá aproximadamente R$6.000,00 nessa conta de reserva financeira.

Agora, se você poupar e investir 20% dos seus ganhos, bastarão 29 meses para você alcançar o montante igual a 6 vezes o total de seus ganhos. Ou seja, se você ganha R$1.000,00 e investe R$100,00, em 29 meses você terá aproximadamente R$6.000,00. Se você esperar os 54 meses, terá um saldo de R$12.000,00 (12 vezes seus ganhos). É o brilho dos juros compostos!